Uma pessoa jurídica que não fez o auto-exame…

O investimento em ativo fixo necessita de amortização ao longo de vários exercícios financeiros, sob pena de erroneamente se acabar por alocá-lo todo em um único exercício. Se os investimentos em imobilizado, por exemplo, são amortizáveis em 60 meses, 1/60 do valor do mesmo deve constar como despesa de depreciação mês-a-mês e não se deve alocar todo ele no mês em que se efetivou a aquisição. Se tenho R$ 60 mil em máquinas que após 5 anos (60 meses) deverão ser trocadas, a cada mês estas máquinas valerão R$ 1 mil a menos (R$ 59 mil no mês seguinte, R$ 58 mil no posterior e assim por diante). Esta perda de valor se deve ao uso, ação do tempo ou obsolescência. Esta redução de R$ 1 mil por mês (depreciação) é o que se chama de despesa não-desembolsável ou despesa invisível, pois muitos, por não verem esta valor sair do caixa confunde-o com o lucro, o que não é verdade. Porém, se o empresário citado tiver a certeza que o mundo se acabará daqui a 5 anos, tudo bem! Ele pode embolsar o valor da depreciação que é de R$ 1mil mensais, mas, graças a Deus, não é o caso. Se ele todo mês ele aplicasse estes R$ 1mil na poupança, que dá um rendimento de 8% ao ano, descontando-se a inflação anual de 5%, teríamos um rendimento real de 3% ao ano, tendo ao final de 60 meses um saldo na poupança de R$ 64.646,71. Supondo que no início eram 60 máquinas a R$ 1 mil cada, ao final de 60 meses se comprariam 64 máquinas e ainda haveria troco, imaginando que as máquinas foram reajustadas pelo valor da inflação. Porém, se o empresário embolsar mensalmente o valor da depreciação e ao final de 60 meses financiá-las em 36 meses a 12% ao ano (juros reais) em tabela price, ele teria pago por 60 máquinas 36 parcelas de R$ 1.992,86. Isto resulta em um total desembolsado de R$ 71.742,91. Pagou-se quase 12 máquinas só de juros. Embolsar os valores da depreciação ao invés de provisioná-los é comparável a se ter um câncer que sorrateiramente vai ceifando a vida da empresa, e quando se descobre a sua existência já é tarde, pois há um verdadeiro processo de metástase, podendo se chegar a um ponto sem volta.

Por Wellington Marinho Falcão (SEBRAE-PE Caruaru)

5 respostas para Uma pessoa jurídica que não fez o auto-exame…

  1. […] Leia mais e comente no blog do Sebrae Pernambuco. […]

  2. jussara disse:

    BOA TARDE ,QUERO MONTAR UM RESTAURANTE EM RECIFE DO TIPO COMIDAS REGIONAIS COM DECORAÇÃO RUSTICA,MAS
    ATENTANDO PARA O CONFORTO E PRATICIDADE SEM DESCUIDAR
    DO NIVEL VISANDO UM PUBLICO QUE GOSTA DO REGIONAL E
    AO MESMO TEMPO NÃO DISPENSA O CONFORTO.gOSTARIA DE SABER SE ESTE RAMO NÃO ESTA SATURADO PELA GRANDE QUANTIDADE DE RESTAURANTES E SE MESMO PROCURANDO ORIENTAÇÃO NOS ORGÃOS E ENTENDENDO DE ALIMENTAÇÃO
    ENTRAR NESSE NICHO DE MERCADO ESTAREI ARRISCANDO DEMAIS O MEU CAPITAL EM ALGO QUE NÃO VAI RESPONDER DENTRO DAS MINHAS ESPECTATIVAS.PRECISO DE UMA LUZ PARA INICIAR O PROJETO.OBRIGADO PELA ATENÇÃO.

    • Wellington disse:

      Olá, Jussara!

      Uma dica para você é participar do Próprio no SEBRAE em Recife. Nele reunimos candidatos a empresário em uma de nossas salas de treinamento em 5 módulos distintos. No primeiro módulo (Portas Abertas) você terá uma apresentação do Próprio, seus módulos e como poderá ter a ajuda do SEBRAE. No segundo módulo (Despertando o Empresário) você terá a oportunidade de se identificar como empreendedora, seus atributos fortes e aqueles que precisariam ser reforçados, afinal, antes de conhecer o mercado, devemos conhecer a si mesmos, não é? O terceiro módulo (Coletando Informações)nos orienta na busca por dados que, processados pelo plano de negócios, gerarão informações úteis ao empreendimento, afinal, sem dados fidedignos, o plano poderá até ser eficiente, mas não será eficaz, ou seja, fará certo (eficiência) a coisa errada (falta de eficácia). No quarto módulo (Conhecendo o Seu Negócio) você será orientada na organização das informações coletados que servirá para um quinto módulo (Consultoria de Viabilidade), este individual, onde detectaremos, em conjunto, indicadores como retorno do investimento, ponto de equilíbrio e lucratividade. Outra boa dica é o EMPRETEC: que se trata de uma ação do SEBRAE onde os participantes têm suas características empreendedoras trabalhadas segundo metodologia do PNUD (Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento). Por fim, lembre-se de que todo empreendedor corre riscos, mas riscos calculados (a adrenalina está nas veias). Portanto, o plano de negócios diminui, mas não elimina os mesmos, porém, faz com que o sucesso seja a regra e não exceção.
      Espero ter ajudado!!!

  3. TUANY POHL disse:

    Porque a depreciação pode ser considerada uma conta invisivel? Não entendi bem essa parte!

    • Wellington disse:

      Preeza Tuany, tudo bem?

      Ela é invisível pois você não vê sair dinheiro do caixa, afinal se um bem que você adquire hoje perde valor pelo uso, ação do tempo ou obsolescência, este valor não sai do seu bolso (você não se vê fazendo isto) mas aquele valor que se perde existe e deve ser poupado para reposição dos bens quando atingirem o final de suas vidas úteis.

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